Equador e México
Análise

Equador enfrenta consequências de ataque à embaixada mexicana

Bnamericas
Equador enfrenta consequências de ataque à embaixada mexicana

O presidente equatoriano Daniel Noboa enfrenta as repercussões nacionais e internacionais de uma ruptura com o México, depois que a polícia local invadiu a embaixada mexicana em Quito na sexta-feira (5) para prender o ex-vice-presidente Jorge Glas sob acusações de corrupção.

O México suspendeu as suas relações diplomáticas com o Equador devido ao incidente, que o presidente Andrés Manuel López Obrador (AMLO) descreveu como uma “violação flagrante da nossa soberania, do direito ao asilo e das normas e leis internacionais”.

“O que eles fizeram foi violar o direito de asilo, violar um mandato de política externa, violar a nossa soberania, foi uma coisa verdadeiramente autoritária”, declarou AMLO à mídia internacional.

O governo mexicano prepara-se para protocolar uma ação contra o Equador perante o Tribunal Internacional de Justiça, bem como para denunciá-lo perante as Nações Unidas. O país também busca o apoio das 30 nações da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).

A ordem de entrada na embaixada para prender Glas “não foi uma decisão fácil”, disse o secretário de comunicações da presidência do Equador, Roberto Izurieta, a um programa de televisão, acrescentando que as autoridades tinham informações de que Glas planejava escapar do complexo diplomático onde se encontrava refugiado desde janeiro.

POLARIZAÇÃO POLÍTICA

Enquanto isso, no sábado, o Revolución Ciudadana (RC) – movimento político do ex-presidente Rafael Correa – declarou-se em oposição direta ao governo sobre o caso Glas, que foi vice-presidente de Correa, e anunciou que fará campanha pela rejeição das 11 questões colocadas pelo governo em um referendo a realizar em 21 de abril sobre questões de segurança, justiça, investimento e emprego.

O RC e seus aliados detêm 51 dos 137 assentos na Assembleia Nacional, em comparação com apenas 21 para o partido de Noboa com os seus próprios apoiadores, sugerindo que isto poderia significar mais problemas políticos para o governo.

Analistas locais preveem uma nova polarização política, que poderá até afetar as intenções de Noboa de vencer as eleições presidenciais de fevereiro de 2025, especialmente se a população não vir ações eficazes contra a violência e o crime organizado.

“Esses votos foram perdidos para Noboa. Há uma ruptura total com correísmo, que iniciará uma oposição radical e procurará, por todos os meios, dificultar a vida do presidente”, disse à BNamericas o presidente da consultoria de risco político Prófitas, Sebastián Hurtado.

Como reação inicial, os ministros do Governo, Mónica Palencia; Defesa, Gian Carlo Loffredo, e a chanceler Gabriela Sommerfeld foram chamados a comparecer perante a Comissão de Supervisão da Assembleia Nacional na quarta-feira (10), e o RC anunciou que iria solicitar impeachment de todos eles.

“É evidente que eles [do RC] começarão a puxar todos os fios políticos possíveis para pressionar Noboa, tanto em nível nacional como internacional, para resolver a situação de Glas. Serão radicais nesse esforço e usarão as suas influências e rede de apoio internacional, porque têm um bom relacionamento com vários governos da região e tentarão prejudicar o governo de Noboa”, acrescentou Hurtado.

EFEITOS NO REFERENDO

Apesar do furor provocado pelo ataque à embaixada e da tensão diplomática com o México, analistas continuam a acreditar que o governo provavelmente obterá apoio público para a maioria das questões incluídas no referendo.

Segundo Hurtado, o impacto da votação será positivo para Noboa porque uma proporção considerável de equatorianos quer ações mais contundentes para combater o tráfico de drogas e a criminalidade, e alguns dos pontos da consulta abrem caminho para que as autoridades tenham maiores poderes para alcançar.

Além disso, “prender supostos criminosos ou corruptos pode beneficiar Noboa”, destacou o analista.

No entanto, dado que ainda faltam duas semanas para o referendo, ainda poderão ocorrer várias reviravoltas que mudem o panorama, e não é de todo impensável que grupos criminosos que esperam a rejeição das propostas recorram à violência para enfraquecer o presidente.

REPERCUSSÕES ECONÔMICAS DA CRISE COM O MÉXICO

Embora o problema com o México tenha consequências na esfera diplomática e política, espera-se que os efeitos sejam menores na esfera econômica.

“O volume de comércio com o México é relativamente baixo, uma vez que não é o principal parceiro comercial dos produtos equatorianos”, explicou à BNamericas Santiago Mosquera, reitor da escola de negócios da Universidade das Américas.

O Equador exporta para o México produtos como banana e cacau, os quais, segundo Mosquera, não serão difíceis de colocar em outros mercados, embora isso possa levar alguns meses se houver algum tipo de sanções comerciais.

Segundo estatísticas do Banco Central equatoriano, no ano passado, o país exportou para o México cerca de US$ 203 milhões e importou daquele país US$ 739 milhões.

O Equador importa do México produtos farmacêuticos, mecânicos, elétricos e automotivos, entre outros.

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