
Nova escalada da violência no Equador pode ser só o começo

A violência se intensificou no Equador durante o feriado da Páscoa, com o registro de 30 homicídios, enquanto as organizações criminosas continuaram confrontando o Estado e os depoimentos de suspeitos importantes em casos de corrupção acabaram expondo as ligações entre o tráfico de drogas e a política.
Na cidade de Ayampe, província de Manabí, 11 pessoas foram sequestradas e cinco delas assassinadas. Enquanto isso, nove pessoas foram mortas a tiros e 10 ficaram feridas em Guayaquil, uma das cidades mais violentas do país.
Em meio ao cenário caótico, o presidente Daniel Noboa ratificou a estratégia do seu governo, focada na declaração do estado de emergência e no conceito de “conflito armado interno”, que permite o envio de tropas do Exército.
Autoridades envolvidas em atos de corrupção – entre elas Mayra Salazar, que trabalhou no Tribunal de Justiça de Guayas – testemunharam na Justiça como parte das investigações de casos importantes, como Metástase e Purga. As testemunhas revelaram nomes de juízes e políticos ligados ao tráfico de drogas e ao crime organizado.
Para saber mais sobre essa situação complexa, a BNamericas conversa com Mario Pazmiño, ex-diretor da agência de inteligência do Equador e consultor internacional de segurança e defesa.
BNamericas: Eventos recentes indicam um ressurgimento do crime organizado. O que está acontecendo e qual seria o impacto dos depoimentos dos envolvidos no caso Metástase?
Pazmiño: Há duas causas fundamentais: a vingança das quadrilhas criminosas e o envio de mensagens relacionadas aos depoimentos da semana passada nos tribunais e às declarações que virão nos próximos dias.
Embora o governo e as instituições de segurança tenham atuado de maneira eficiente, o crime organizado começou a recuar e criar células clandestinas para se misturar e observar como o Estado age. Isso permitiu que detectassem vulnerabilidades e problemas logísticos nas estratégias oficiais para agir novamente, em medidas de contra-ataque e retaliação.
Vale destacar, ainda, que, embora as forças públicas tenham começado a assumir o controle e a realizar buscas e patrulhas nos santuários – áreas dominadas por organizações criminosas –, as Forças Armadas e a Polícia não permaneceram nesses locais e outras gangues começaram a tentar tomar esses territórios, resultando em confrontos muito violentos para recuperar o controle desses espaços.
Na semana passada, o depoimento de Mayra Salazar preocupou atores políticos e membros do crime organizado a nível nacional, uma vez que os equatorianos estão tomando consciência da existência da “narcopolítica” e da “narcojustiça”, diretamente ligadas ao crime organizado.
Nomes de estruturas criminosas, detalhes de suas operações e contatos começaram a aparecer nos depoimentos, o que poderia enfraquecer essas quadrilhas. Por isso estão tentando gerar distrações com esses massacres e ondas de violência, para que as declarações na Justiça percam um pouco de validade.
BNamericas: Então o objetivo dos assassinatos é, basicamente, desviar a atenção das revelações?
Pazmiño: Exatamente. O que aconteceu no fim de semana, mais do que um tapa na cara, foi uma estratégia de distração.
Os dois fatores de desestabilização estão sendo reativados, um dentro dos presídios e outro fora das grades, com ações de terrorismo urbano em várias cidades do país.
BNamericas: O que aconteceu em Ayampe pode ser entendido como uma mensagem do crime organizado, que se sente ameaçado?
Pazmiño: Antes de realizar uma operação desse tipo, o crime organizado analisa bem a situação, faz a vigilância e dispõe de informações muito detalhadas sobre os objetivos e metas.
Acho que a ideia era enviar uma mensagem clara e forte ao governo e dizer que não está derrotado, que ainda é uma força no país.
BNamericas: Outros envolvidos em casos de corrupção devem testemunhar nos próximos dias, poderíamos ver outra onda de violência?
Pazmiño: Acho que sim. Hoje houve uma ameaça de carro-bomba em uma delegacia de polícia em Guayaquil.
E não são só os depoimentos pendentes no Equador que podem trazer mais revelações, o depoimento do ex-controlador Carlos Pólit [processado por lavagem de dinheiro de suborno], marcado para este mês nos Estados Unidos, também estremecerá as bases da narcopolítica e da narcojustiça no Equador.
BNamericas: Quais ações preventivas devem ser tomadas?
Pazmiño: O governo deveria mudar sua estratégia e implementar a chamada “presença dissuasora permanente”, ou seja, trazer toda a Força Pública para o território 24 horas por dia. Isso limita as ações das organizações.
BNamericas: Os últimos acontecimentos parecem lembrar que a batalha contra o crime organizado ainda durará anos.
Pazmiño: É uma guerra, como o chamou o presidente, um conflito armado interno que não termina em 90 dias de estado de emergência, nem em um ano.
Está apenas começando e durará de três a quatro décadas, desde que o Estado se consolide e promova ações concretas nas políticas públicas de segurança de longo prazo, por 40 ou 50 anos, com uma convergência de todas as forças sociais e políticas do país e um critério nacional para combater o crime organizado.
Se cada partido político e cada um dos atores sociais agirem por conta própria, sem uma política que integre as ações governamentais, o Equador viverá o mesmo que a Colômbia e o México, que estão no meio do crime organizado há décadas.
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