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‘O retrofit está se tornando uma condição para ser competitivo’

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‘O retrofit está se tornando uma condição para ser competitivo’

Com uma rede de transmissão com cerca de 170 mil km, o Brasil tem pela frente um grande trabalho de reforços e melhorias (o chamado retrofit) de suas linhas e subestações. 

Para Franceli Jodas, sócia da KPMG, o retrofit está se tornando uma condição para ser competitivo em leilões cada vez mais disputados, mas faltam incentivos regulatórios para tais investimentos. 

Nesta entrevista, ela também falou sobre os próximos leilões de transmissão e de reserva de capacidade. 

BNamericas: Quais as perspectivas para o mercado de reforços e melhorias no segmento de transmissão de energia?

Jodas: O retrofit está se tornando uma condição para ser competitivo. Esta é a maior lição ou mensagem. Os leilões estão cada vez mais competitivos, então é preciso melhorar a gestão e usar tecnologia para ganhar competitividade. Todos os agentes estão investindo em melhorias e novas tecnologias, e as cifras são altas.

Investimentos estão sendo feitos em plataformas digitais para melhorar os processos, ter maior previsibilidade dos números, trabalhar com inteligência artificial e aprender com padrões através de machine learning e qualificação de pessoal para lidar com as novas tecnologias.

BNamericas: O lance apresentado no leilão deve embutir os futuros investimentos em retrofit, certo?

Jodas: O lance tem que considerar uma excelente implementação e a excelência na operação. Isto envolve questões fundiárias, ambientais etc. A Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica] tem estudado políticas de incentivo para modernização, mas ainda precisamos de clareza para permitir o planejamento por parte dos agentes. Eles precisam encontrar o ponto ótimo da operação para serem competitivos, e a tecnologia pode ser uma grande aliada

Nossos modelos anteriores de revisão tarifária [pela Aneel] focavam na redução de custos. Nossos ativos estão, agora, mais defasados e sob pressão, enquanto precisamos expandir a rede de transmissão por conta das fontes renováveis. As modernizações precisam ser contempladas nas revisões tarifárias e renovação das concessões

BNamericas: Que empresas você destacaria como aquelas que mais investiram em reforços e melhorias?

Jodas: Eu diria que a maioria delas, mas existem cifras expressiva sendo divulgadas por Eletrobras e ISA CTEEP.  

BNamericas: Qual sua expectativa sobre o segundo leilão de transmissão de 2024? O lote do Rio Grande do Sul foi adiado para 2025 devido às enchentes no estado.

Jodas: há players interessados e bem preparados, mas precisamos analisar o ambiente de sobrecontratação [de energia]. Esse leilão já foi postergado. Acho que vai acontecer porque o sistema precisa de resiliência, mas não acho que haja grande expectativa devido ao volume bem menor em relação aos anteriores.

[Nota da BNamericas: devido à expansão da geração distribuída e crescente migração de consumidores para o mercado livre, as concessionárias de distribuição, que contratam energia nos leilões da Aneel, ficaram “sobrecontratadas”. Além disso, há um cenário de excesso de energia no país devido à grande entrada de projetos de geração renovável no sistema, enquanto o crescimento do consumo é relativamente baixo.]

BNamericas: E quanto ao leilão de reserva de capacidade, você acredita que irá acontecer? Já estamos em agosto e o governo ainda não divulgou o edital.

Jodas: Não vai acontecer na data inicialmente divulgada [agosto]. Há algumas incertezas, depende muito de novas regulamentações que estão demorando demais. Há um ambiente político e regulatório mais complexo com as greves das agências reguladoras. O cenário político e regulatório não é simples e atrapalha a agenda de leilões, o que, por sua vez, atrapalha as agendas de modernização.

Precisamos de mais certeza quanto aos incentivos [às modernizações]. E isto é uma agenda global. A inovação acontece muito rapidamente, mas a regulação não consegue atender no mesmo ritmo.

BNamericas: O leilão deve permitir a participação de térmicas e hidrelétricas?

Jodas: Sim. Os leilões de reserva de capacidade devem se tornar uma nova opção de receita para as UHEs [grandes hidrelétricas]. Esta é uma boa perspectiva porque há ativos que podem dar esse apoio ao sistema, em vez de apenas investir em expansão [de novos projetos de geração].

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